ISBN : 978-85-907861-0-8
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Direitos Autorais - Lei nº 9.610
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FBN: Registro nº 418. 164/Livro 781/Folha 324

PREFÁCIO/APRESENTAÇÃO


  O presente trabalho é um ensaio filosófico, mais próximo, devo assim considerar, de um esboço. Embora cuidadosamente delineado, está um pouco distante ainda do pretendido: uma interpretação metafísica mais completa da realidade que se apresenta à nossa sensibilidade, mas, que num futuro próximo, espero desenvolver. Entretanto, como tal, já permite, assim julgo, vislumbrar novos caminhos, face às contradições dos conceitos filosóficos ainda existentes e que tanto nos confundem. Infelizmente alguns se perpetuam, desde as reflexões dos pré-socráticos.
  Uns dos centros dele é a lei das desigualdades ou das diferenças, algo que se revela como insofismável e absoluto, a exigir que a realidade, antes de tudo, apresente-se como plural e não como singular - um modelo de realidade preexistente e auto-evidente. Ainda, e significativamente, há o conceito de uno-univocidade tomado para o ser e não de uno-unidade parmediano.
  Outro ponto abordado é a questão da linguagem, como também a da cultura ou, mais precisamente, da condição sócio-cultural humana, a refletir sempre o processo de aprimoramento do entendimento que temos sobre as coisas.
  Com referência a primeira, é uma faca de dois gumes, pois, a compreensão correta dos significados das palavras, depende do nível intelectual do interpretante geralmente vinculado ao meio cultural em que está inserido, constatando-se em nossos dias, os mais diferenciados nichos, isto em função da profusão das áreas de conhecimento: significantemente diversificadas; uma exigência da cultura da especialização. O mesmo valendo para o autor, o que torna inconveniente, às vezes, o uso de determinados termos.
  Muitas impropriedades originam-se, também, do nível de subjetividade existente em maior ou menor grau em todos nós, em decorrência da dificuldade, não só de entendermos, como de comunicarmos a luminosidade interior, seguramente encontrada em cada um de nós: dos mais aos menos cultos. Mas, se tal subjetividade pode ser observada nos grandes filósofos, então, fico mais à vontade, certo de uma benevolência maior do leitor, pelo grau que possa mostrar esse modesto livre-pensador, principalmente, por este trabalho ser um primeiro ensaio.
  Aristóteles revela subjetividade ao acolher a realidade concreta como imperfeita, já que era enlevado pela natureza, mas formulou uma teoria, que influenciou de modo significativo, toda a cultura ocidental. Kant, influenciado pelo empirismo, considerou a realidade como refratada. Da existência objetiva, restou apenas a condição a priori de espaço e tempo e suas categorias, ainda que visse clara e concretamente o céu estrelado acima dele: “Duas coisas me deixam maravilhado: o céu estrelado acima de mim e a lei moral dentro de mim”. Tais subjetividades promovem contradições, mas abrem caminhos por trazerem à luz outros paradigmas.
  Entendo, ainda, que muitas incoerências filosóficas, decorrem, entre outros, do conceito de imperfeição, adotado por Platão, para o “ser” concreto, e não o de diferença; senão endossado pela maioria, pouco ou nada contestado de modo convincente. O mundo das idéias, o supra-sensível, o perfeito, encanta e contagia magicamente a todos. Sem dúvida, tal unicidade, a perfeição, é quase uma unanimidade, certamente por anunciar algo divino, entretanto, apresenta-se de modo diverso para cada um de nós; reflete a condição sócio-cultural de cada ser humano, ou seja, o entendimento que se possa ter dela em função da sensibilidade e nível intelectual de cada um. Porém, a diferença é uma lei, independe de subjetividades. Evidentemente não estou referindo-me àquilo que se revela como anômalo, mais precisamente, a distorção daquilo que deveria ser - naturalmente - desigual ou diferente.
  Contestar os filósofos, certamente! Desconsiderar suas teorias, jamais! O intuito não é este. Muito pelo contrário; aliás, nisso posiciono-me radicalmente contra. Confesso que sou fascinado pela maioria delas, das dos pequenos e limitados a dos mais famosos. O impressionante é que cada um, traz à luz, verdades que não podem ser ignoradas, tornando-se contribuições indispensáveis a novas reflexões, o que permite o aparecimento de teorias mais consistentes a respeito da realidade que se manifesta diante de nós. Todos, em maior ou menor grau, contribuíram e contribuem para o desenvolvimento do conhecimento humano. Graças a eles, com raras exceções, temos hoje a Internet - disso não tenho dúvida; um meio de absorção de conhecimentos de valor incomensurável dada à imensa proliferação de trabalhos, das mais diversas áreas de conhecimento que surgem à nossa frente como se fosse magia; tudo isso a nos enriquecer. Tal meio de comunicação eletrônico, permite-nos hoje uma reflexão profunda, detalhada e comparativa do que se pretende absorver, em um período de tem-po outrora não imaginado, em decorrência das mais diversas interpretações, formuladas sobre as mais diferentes questões, sem muita necessidade, portanto, de consultarmos as obras originais, inclusive as de línguas estrangeiras e sobre os mais variados temas. Os interpretadores de repente tornam-se muitos, alguns, altamente qualificados, o que facilita uma abordagem com alto nível de reflexão e um posicionamento consistente, sobre os mais diferentes assuntos. São as vantagens do mundo contemporâneo uma contradição diante de tantas desvantagens.
  Há de se considerar ainda neste trabalho o conceito de inatismo das idéias. Estas, por serem a essência do ser, revelam-se através de todas as coisas. Estão no mundo, tanto quanto as formas que se apresentam à nossa sensibilidade - representam pura inteligibilidade.
  Entretanto, apesar dos conceitos acima abordados serem de grande importância, o de uno-unívoco e o de desigualdades ou diferenças são vitais; são as chaves da teoria que ora apresento. Ouso apresenta-la, pela possibilidade e expectativa de ela poder representar, assim espero, uma boa contribuição à filosofia - não mais do que isso.

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O Autor

E-mail para: miltomelo@hotmail.com

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